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J45.9 Asma não especificada

J45.9   Asma não especificada



A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas inferiores caracterizada
pela hiper-responsividade das mesmas e pela limitação variável ao fluxo aéreo, sendo
geralmente reversível. Na sua etiopatogenia estão envolvidos fatores genéticos (principalmente
atopia), ambientais (alergenos) e desencadeantes, como infecções de vias aéreas
superiores, medicamentos, exercícios e refluxo gastroesofágico, entre outros.
Trata-se de uma doença muito comum, que afeta aproximadamente 7-10% da população.
Segundo dados do International Study for Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC),
a estimativa de prevalência no Brasil situa-se em torno de 20%1. A asma é responsável, em
nosso país, por aproximadamente 350.000 internações hospitalares no SUS por ano2.
Clinicamente ela se apresenta através de sintomas episódicos, principalmente dispnéia,
sibilância, tosse seca e sensação de aperto torácico. Caracteristicamente, esses sintomas
são reversíveis tanto espontaneamente quanto após a administração de broncodilatadores.
A alteração na função pulmonar pode ser detectada por espirometria que, além de
confirmar os achados obstrutivos compatíveis, pode quantificá-los.
O tratamento inclui medidas educacionais sobre a exposição a alergenos e outros
desencadeantes específicos, fisioterapia respiratória e terapia medicamentosa. Os objetivos
terapêuticos básicos são: minimizar os sintomas que limitam as atividades diárias, prevenir
crises recorrentes, diminuir as visitas às emergências e as hospitalizações e manter a
função pulmonar o mais próximo possível do normal. Atualmente, recomenda-se que o
manejo dos pacientes deve ser baseado no grau de gravidade da doença.
De acordo com a freqüência e a intensidade dos sintomas e com os parâmetros da
função pulmonar, pode-se classificar a asma em: intermitente, persistente leve, persistente
moderada, persistente grave.
Estima-se que aproximadamente 60% dos casos de asma sejam intermitentes ou
persistentes leve, 25-30% moderados e 5-10% graves, sendo que estes últimos são os
responsáveis pela maior parte da mortalidade associada à asma.

2. CLASSIFICAÇÃO CID 10
• J45 Asma
• J45.8 Asma mista
• J45.9 Asma não especificada

3. DIAGNÓSTICO
De acordo com os critérios estabelecidos pelo Expert Panel of the National Asthma
Education and Prevention Program of the National Heart, Lung and Blood Institute3, respaldados
pelo III Consenso Brasileiro de Manejo da Asma de 20022, são classificados como
graves os casos que apresentarem qualquer uma das condições indicadas na Tabela 1.


Tabela 1 - Classificação dos casos de asma grave (III Consenso Brasileiro no Manejo de Asma - 2002)


4. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Serão incluídos os pacientes que apresentarem qualquer um dos seguintes critérios:
a) sintomas de asma diários e contínuos;
b) uso de broncodilatador de curta ação pelo menos 2 vezes por dia;
c) espirometria com pico de fluxo expiratório (PFE) ou volume expiratório forçado no primeiro
segundo (VEF1) com menos de 60% do previsto na fase pré-broncodilatador;
d) sintomas noturnos pelo menos 2 vezes por semana;
e) acompanhamento em um centro de referência ou em unidades com médicos capacitados para
prestar assistência a pacientes asmáticos.
5. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Serão excluídos os pacientes com pelo menos um dos seguintes critérios:
a) tabagismo atual, exceto para os impossibilitados de abandonar o vício por retardo mental ou
doença psiquiátrica grave;
b) predomínio de doença pulmonar obstrutiva crônica;
c) discordância com os termos expostos no Consentimento Informado;
d) qualquer contra-indicação ao uso dos medicamentos descritos.
6. TRATAMENTO
6.1. Fármacos
Os pacientes classificados como asmáticos graves necessitam fazer uso de um grupo de medicamentos
associados para o controle da doença. Os fármacos usados nas crises são os beta-agonistas de
curta ação, e os de manutenção são corticóides inalatórios, corticóides sistêmicos e beta-agonistas de longa
ação.
O objetivo do tratamento é manter a doença sob controle com a mínima dose possível das medicações
e, assim, reduzir a possibilidade de efeitos adversos.
Os corticóides inalatórios são os agentes antiinflamatórios mais potentes disponíveis. Atuam nas
fases crônica e aguda do processo inflamatório o qual está amplamente envolvido na fisiopatologia da
asma. Com isso, obtêm-se alívio dos sintomas, melhora no fluxo aéreo, diminuição da hiper-responsividade
das vias aéreas e prevenção das recorrências. Além disso, podem potencializar os efeitos dos broncodilatadores
beta-agonistas. Em pacientes com asma grave, os corticóides inalatórios reduzem a necessidade e a
dose dos corticóides orais4. Alguns estudos demonstram que o uso desses medicamentos está associado à
redução na mortalidade e nas hospitalizações por asma5. Os corticóides administrados por via inalatória são
os agentes de primeira escolha para os pacientes com asma persistente. Dentre os representantes desse
grupo incluem-se dipropionato de beclometasona e budesonida.
Os broncodilatadores beta-agonistas podem ser classificados como de curta ação (fenoterol, salbutamol
e terbutalina) e de longa ação (formoterol e salmeterol).
Os de curta ação têm efeito de 6 horas e são usados para o alívio dos sintomas nas exacerbações,
enquanto os de longa ação têm efeito de até 12 horas e são empregados para a terapia de manutenção,
associados com os corticóides inalatórios. Estes últimos não devem ser utilizados isoladamente. A associação
de beta-agonistas de longa ação com corticóides inalatórios promove um melhor controle da asma

(sintomas e função pulmonar) do que se a dose do corticóide fosse aumentada até o dobro13. Três
ensaios clínicos randomizados envolveram 1.400 pacientes com asma não controlada adequadamente
com doses de corticóide inalatório entre 250-2.000 μg/dia de beclometasona ou equivalente
e compararam o uso regular de beta-agonista de longa ação com placebo13. Os grupos de pacientes
que usaram formoterol ou salmeterol obtiveram melhor qualidade de vida e melhor função
pulmonar (PEFR e VEF1) do que os que utilizaram placebo.
Pacientes com asma grave necessitam fazer uso concomitante de corticóides sistêmicos
para obter controle dos sintomas. No tratamento de manutenção, a dose mínima necessária deve
ser administrada, a fim de reduzir os efeitos adversos. Os corticóides sistêmicos mais utilizados
são a prednisona e a prednisolona.
Tabela 2 - Esquema de tratamento da asma grave, envolvendo corticóides inalatórios, betaagonistas
de curta e longa ação e corticóides sistêmicos. (III Consenso Brasileiro de Manejo da
Asma)



6.2. Esquema de Administração
Os corticóides inalatórios podem ser administrados através de diversos dispositivos. A
deposição pulmonar dos medicamentos depende do dispositivo e da técnica de uso empregada. A
dose ideal deverá ser titulada até a obtenção do controle dos sintomas. Espaçadores acoplados
aos aerossóis dosimetrados também aumentam a deposição pulmonar do fármaco e diminuem a
deposição na orofaringe, reduzindo os efeitos colaterais locais. Segundo diretrizes da British
Thoracic Society6, tanto adultos quanto crianças que estejam em uso de altas doses de corticóides
inalatórios, administrados por aerossóis dosimetrados, devem fazer uso de um espaçador, para
diminuir os efeitos adversos locais. A escolha de cada dispositivo deve ser individualizada, levando-
se em consideração fatores como satisfação, adesão e custo-benefício. Quando bem orientada,
a maioria dos pacientes consegue se adaptar com os aerossóis dosimetrados, acoplados ou
não aos espaçadores. Para os que não conseguem utilizar adequadamente os aerossóis dosimetrados,
a melhor alternativa são os inaladores de pó. Em crianças com menos de 5 anos, os
medicamentos inalatórios podem ser administrados através de nebulizadores devido à incordenação
para uso dos inaladores. Os agonistas beta-adrenérgicos inalatórios podem ser administrados
por aerossol dosimetrado ou por inaladores de pó. Uma revisão sistemática envolvendo 13
estudos randomizados mostrou eficácia similar no controle de episódios agudos de asma em
pacientes não hospitalizados com o uso de agonistas beta-adrenérgicos através de inaladores de
aerossol com espaçadores ou nebulizadores13.
6.3. Dosagem
Pacientes com asma grave devem usar corticóides inalatórios em altas doses, ou seja,
doses de beclometasona acima de 800 μg/dia em adultos e acima de 400 μg/dia em crianças. É
importante enfatizar que o ajuste da dose ideal deve ser baseado no julgamento da resposta ao
tratamento, através de critérios clínicos e espirométricos. Uma vez que o controle tenha sido
alcançado, recomenda-se usar a menor dose possível para manter os sintomas sob controle e
minimizar os efeitos adversos. Após a estabilização dos sintomas, a dose dos corticóides inalatórios
pode ser reduzida a aproximadamente 25% a cada 3-6 meses até a menor dose necessária
para manter os sintomas controlados. Ensaios clínicos que tiveram como desfechos a redução dos
sintomas e melhora do pico de fluxo expiratório demonstraram que a beclometasona e a budesonida
alcançaram efeitos comparáveis em doses similares (microgramas), quando administradas por
aerossóis dosimetrados3. A budesonida, quando administrada por inalador de pó, alcançou efeitos
semelhantes aos encontrados com o dobro da dose administrada por aerossol dosimetrado3.



Tabela 3 - Doses de corticóides inalatórios para adultos e crianças com asma grave.



Para os agonistas beta-adrenérgicos as doses utilizadas são as seguintes:
• salbutamol: a dose varia de acordo com a necessidade, mas geralmente situa-se em torno
180 μg (2 jatos) aplicados 3-4 vezes por dia. É importante salientar que a falta de um efeito
esperado ou a necessidade de doses crescentes para controlar os sintomas requer uma reavaliação
da terapia de manutenção.
• salmeterol: aerossol: 2 aplicações 12/12 horas (42 μg 12/12 horas)
pó: 1 cápsula 12/12 horas (50 μg 12/12 horas)
• formoterol: pó: 1 cápsula 12/12 horas (12 μg 12/12 horas)
Para os corticóides sistêmicos recomenda-se usar a menor dose possível para manter o paciente
com os sintomas controlados (evitando doses acima de 60 mg/dia), podendo-se optar também por esquemas
de administração em dias intercalados.
6.4. Efeitos Adversos
Os corticóides inalatórios não são isentos de efeitos indesejáveis, no entanto apresentam uma razão
risco-benefício muito melhor do que a obtida com o uso de corticóides orais, teofilina ou mesmo agonistas
beta-adrenérgicos de curta ação8. Após a inalação, uma grande porção da dose (80-90%) é depositada na
orofaringe e então é deglutida e disponibilizada para absorção pela circulação sistêmica. O uso de espaçadores
acoplados aos aerossóis dosimetrados e a lavagem da boca após a administração do corticóide por
inaladores de pó são medidas que reduzem a deposição da droga na orofaringe, diminuem os efeitos
adversos em nível local e reduzem também a absorção sistêmica. Um porção variável de 10-20% da dose
inalada é depositada no trato respiratório e também é absorvida pela circulação sistêmica. É importante
que pacientes que estejam em uso de doses altas de corticóides inalatórios (>800 μg/dia de beclometasona
ou equivalente) sejam acompanhados por um especialista para obterem orientação de uso e monitorização
adequadas, visando reduzir a ocorrência de efeitos adversos.
A taxa de ocorrência dos efeitos adversos locais depende da dose, da freqüência de uso e do
dispositivo de administração da droga. O efeito adverso mais comum é a disfonia, que acomete aproximadamente
um terço dos pacientes tratados e deve-se à irritação dos músculos da laringe. É reversível com a
suspensão do tratamento e não é passível de prevenção com o uso de espaçadores. A candidíase oral é
comum em pacientes adultos que estejam em uso de altas doses de corticóides inalatórios e pode ser
prevenida com o uso de espaçadores e lavagem da boca após a inalação. Podem ocorrer tosse e
broncoconstrição reflexa em alguns pacientes que utilizam aerossóis dosimetrados, o que pode ser prevenido
pela troca para um dispositivo de inalação de pó.
Embora algumas preocupações em relação às possíveis repercussões sistêmicas do uso crônico de
corticóides inalatórios tenham surgido com o crescimento da sua indicação (principalmente em crianças),
muitas dúvidas estão sendo esclarecidas através de estudos que avaliaram a segurança a longo prazo com
o uso desses medicamentos. Os principais pontos de preocupação com o uso crônico de corticóides
sistêmicos são:
• Supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHP): pacientes em uso de corticóides inalatórios
com doses equivalentes a ≤ 1.500 μg de beclometasona em adultos e a ≤ 400 μg em
crianças apresentam efeito desprezível sobre o eixo HPP. No entanto, pacientes com asma grave
freqüentemente usam dose maiores e fazem uso de corticóides orais, o que aumenta suas chances
de desenvolverem algum grau de supressão do eixo. Tais pacientes devem ser alertados para
esse tipo de efeito adverso e receber atenção especial em casos de trauma, cirurgia ou infecções,
a fim de se evitar uma crise de insuficiência adrenal aguda;
• Efeitos no metabolismo ósseo: os dados da literatura são conflitantes nesse aspecto. Muitos
estudos nessa área não tiveram seguimento nem controle adequado ou mediram apenas desfechos
intermediários (bioquímicos). Wisniewski et al. não encontraram diferença na densidade
óssea de pacientes asmáticos que usavam corticóides inalatórios comparado com os que não o
faziam. Nesse estudo houve uma redução na densidade óssea lombar proporcional à
dose cumulativa utilizada de corticóide inalatório, porém esse efeito foi observado apenas
em mulheres9. Ip et al. também demonstraram o efeito redutor do corticóide inalatório
utilizado cronicamente sobre a densidade óssea observada principalmente em mulheres,
particularmente no período pós-menopausa10. Essa população de pacientes deve
ser seguida com mais rigor e ser orientada quanto a medidas de prevenção, como
exercícios, suplementação de cálcio e vitamina D (ver Protocolo Clínico e Diretrizes
Terapêuticas de Tratamento da Osteoporose – Portaria SAS/MS nº 470, de 23 de julho
de 2002). O Consenso Canadense de 1999 recomenda que pacientes que estejam
fazendo uso de doses de beclometasona acima de 1.000 μg por dia e que apresentem
fatores de risco para osteoporose, façam seguimento da densidade óssea de acordo
com as diretrizes estabelecidas para esta doença11,12.
• Efeitos oculares: Cumming et al. em estudo de base populacional e transversal em 370
pacientes usando corticóide inalatório com controle para sexo e idade, demonstraram
uma razão de prevalência de 1,9 (95% CI 1,3-2,8) para catarata subcapsular posterior e
de 1,5 (95% CI 1,2-1,9) para catarata nuclear nos pacientes que usavam comparados
com os que não usavam corticóides inalatórios. O corticóide utilizado nesse estudo foi a
beclometasona. Pacientes que usaram doses cumulativas durante a vida superiores a
2.000 μg tiveram uma razão de prevalência de catarata de 5,5. Essas associações foram
observadas mesmo após o ajuste para o uso de corticóides sistêmicos e outros potenciais
fatores de confusão13.
• Efeitos no crescimento: dados cumulativos em crianças sugerem que doses baixas e
médias de corticóides inalatórios podem diminuir a velocidade de crescimento. No entanto,
esse efeito não é sustentado em anos subseqüentes de tratamento, não é progressivo
e pode ser reversível. Estudos de coorte que seguiram crianças por mais de 10 anos
sugerem que a altura final é mantida. Recomenda-se, assim, que crianças que estejam
recebendo qualquer forma de corticoterapia sejam monitorizadas e, se em algum momento
seu crescimento for inapropriado, os benefícios do controle da asma devem ser
pesados contra a possibilidade de retardo no crescimento3. Segundo o Consenso Canadense11
crianças que fazem uso de dose de beclometasona superiores a 400 μg por dia,
devem ter sua altura medida regularmente e, havendo qualquer alteração na velocidade
de crescimento, deve-se considerar redução nas doses desde que não comprometa o
controle dos sintomas de asma.
• Efeitos cutâneos: pacientes que utilizam corticóides inalatórios podem apresentar afinamento
da pele e ser suscetíveis a lesões cutâneas. Esses efeitos são dose-dependentes.
Os efeitos adversos mais comuns dos agonistas beta-adrenérgicos são tremores, palpitações,
taquicardia, náuseas, tonturas. Pode ocorrer broncoespasmo paradoxal. O uso regular e
freqüente de beta-agonistas de curta ação pode estar associado com diminuição do controle da
asma e aumento da responsividade das vias aéreas a estímulos provocantes (alergenos, exercícios,
entre outros)15. Estudos observacionais demonstraram que o uso regular de fenoterol se
associou com maior morbidade e mortalidade por asma, devido a um aumento na gravidade da
mesma16-19. No entanto, não há evidências em humanos de que os beta-agonistas de curta ação
induzam arritmias cardíacas graves ou outras anormalidades cardíacas. O uso isolado dos betaagonistas
de longa duração está associado com taquifilaxia à broncoproteção, mesmo após poucas
doses.
Os principais efeitos adversos dos corticóides sistêmicos são: insônia, nervosismo, vertigem,
convulsões, psicose, pseudotumor cerebral, dor de cabeça, delírio, alucinações, euforia,
úlcera péptica, náuseas, vômitos, distensão abdominal, esofagite ulcerativa, pancreatite, hepatite,
catarata, glaucoma, aumento da quantidade de pêlos no corpo, espinha, atrofia de pele, hiperpigmentação,
síndrome de Cushing, aumento do apetite, diabete melito, edema, supressão adrenal,
supressão do crescimento, retenção de líquidos, parada da menstruação, dores articulares, sangramentos
nasais, pressão alta, hipocalemia, alcalose, fraqueza muscular, osteoporose, fraturas e
reações de hipersensibilidade. Estes medicamentos também podem facilitar o estabelecimento ou
agravar infecções virais, fúngicas e bacterianas. Estrongiloidíase invasiva também pode acontecer nos
usuários de prednisona com o parasita intestinal.
6.5. Benefícios Esperados
• Alívio dos sintomas;
• Melhora da função pulmonar;
• Redução nas hospitalizações;
• Melhora na qualidade de vida;
• Redução do risco de morte.
7. MONITORIZAÇÃO
Os pacientes com asma grave devem ser monitorizados através de avaliação clínica periódica pelo
seu médico especialista, considerando a função pulmonar (espirometria) e a necessidade de uso de broncodilatadores
de curta ação. O medidor de pico de fluxo é um dispositivo importante para monitorização do
tratamento nos portadores de asma grave, pois alguns indivíduos podem apresentar uma perda da percepção
da dispnéia, apesar da função pulmonar estar comprometida. Os pacientes que se incluem neste
protocolo podem necessitar de altas doses de corticóides inalatórios associados a corticóides sistêmicos,
devendo os efeitos adversos, portanto, ser vigiados atentamente (crescimento, massa óssea, catarata,
supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal).
Uma vez obtido o controle dos sintomas, a dose dos medicamentos deve ser mantida por um
período de 3-6 meses antes de ser reduzida.
8. CONSENTIMENTO INFORMADO
É obrigatória a cientificação do paciente, ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e efeitos
colaterais relacionados ao uso dos medicamentos preconizados neste protocolo, o que deverá ser formalizado
por meio da assinatura de Termo de Consentimento Informado.
9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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